Um áudio que circulou nas redes sociais na última quarta-feira (27) levantou suspeitas sobre possíveis interferências políticas na regulação de cirurgias no Acre. O conteúdo é atribuído a Marison Silva de Souza Freitas, gerente-geral do Complexo Regulador, e cita supostas autorizações fora dos critérios técnicos adotados pela Central de Regulação.
Na gravação, Marison conversa com um enfermeiro da regulação e questiona a inclusão de um paciente no mapa cirúrgico sem que a solicitação tivesse passado, segundo ele, por sua autorização ou pela de Shirley, apontada como responsável pelo Núcleo de Regulação de Cirurgias.
“É, é pedido político, eu quero saber o nome da tua amiga que pediu. Eu não quero nada que não tenha partido de mim ou da Shirley. Só que foi o Samir que tinha me pedido, quando eu fui olhar, já estava agendado. Não sei quem foi o político que pediu para ela”, diz um trecho do áudio atribuído ao gerente.
A fala gerou questionamentos sobre a transparência da fila de espera para procedimentos cirúrgicos no estado, principalmente entre pacientes que aguardam há meses por cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com informações apuradas, a definição de prioridade para a realização de cirurgias deve ser feita pelo médico regulador, responsável pela avaliação clínica dos pacientes cadastrados no sistema.
A denúncia levanta suspeitas de que as cirurgias estão sendo marcadas por indicação política, passando por cima até da conduta de avaliação do médico regulador, ou seja, é de competência dele avaliar a prioridade do paciente de acordo com o quadro clínico do mesmo. Diante dos fatos, verifica-se que a definição de quem vai operar é do Marison e da Shirley.
O conteúdo do áudio também sugere que determinadas cirurgias teriam prioridade por indicação política, especialmente ligadas ao chamado “pessoal do Samir”, citado na conversa.
Nossa reportagem entrou em contato com o vereador Samir Bestene, pré-candidato a deputado estadual e filho do atual secretário de Saúde do Estado, José Bestene, para comentar as denúncias de que o nome dele estaria sendo utilizado dentro da Secretaria, mais precisamente no setor de regulação de cirurgias. No entanto, o parlamentar não se pronunciou sobre o assunto.
A reportagem procurou também o diretor administrativo da Sesacre, Carlos Augusto, para falar sobre o caso, porém ele também não se manifestou.
A equipe jornalística apurou ainda que, na gestão anterior do secretário Pedro Pascoal, Marison e Shirley haviam sido exonerados de seus cargos na regulação. Após o secretário José Bestene assumir a pasta, os dois retornaram ao Complexo Regulador do Estado.
O espaço segue aberto para que ambos possam se pronunciar acerca dos fatos e das denúncias apresentadas na matéria.
Escute o áudio:


