O governo brasileiro reafirmou que o Pix não fará parte das negociações com os Estados Unidos para evitar a aplicação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A posição foi apresentada durante reunião entre representantes dos dois países, que discutem alternativas para reduzir as tensões comerciais antes da decisão prevista para este mês.
As negociações ocorrem após o governo norte-americano abrir uma investigação comercial com base na chamada Seção 301, mecanismo que avalia práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. Entre os pontos analisados estão tarifas comerciais, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e o funcionamento do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Durante encontro realizado na quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou ao representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que o Pix é um sistema soberano e não será objeto de negociação.
Como alternativa, o governo brasileiro apresentou um plano com propostas para atender parte das demandas norte-americanas. Entre elas está a possibilidade de reduzir tarifas de importação em cerca de 300 categorias de produtos, medida que, se implementada, deverá beneficiar diversos países, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), e não apenas os Estados Unidos.
As conversas entre os dois governos devem continuar nos próximos dias. A expectativa é que uma nova reunião ocorra antes de 15 de julho, prazo em que o governo dos Estados Unidos deverá decidir se recomendará ou não a aplicação das novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Enquanto as negociações avançam, o tema também repercute no cenário político brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou manifestações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relacionadas ao possível tarifaço. Em resposta, o parlamentar afirmou que o governo federal tem conduzido de forma inadequada as negociações comerciais, ampliando o debate político em torno da relação entre Brasil e Estados Unidos.



